Os quilombolas no Debate Público na ALMG: embrionária potencialidade de articulação da luta política

Lilian Gomes

O professor Boaventura de Sousa Santos diz que estamos num tempo de perguntas fortes para respostas fracas. Passada uma semana do Debate Público na ALMG impera o sentimento de que a atitude dos quilombolas presentes na sessão suscita maiores esperanças de respostas do que a atitude de algumas autoridades. Comecemos por antever a força embrionária das respostas dadas pela presença dos quilombolas no debate. Esta resposta foi sentida de modo mais intenso pelos que participaram do Debate durante todo o dia 30 de novembro. Desde cedo começaram a chegar quilombolas de idades diversas com uma energia que ia se somando em uma reunião de 26 comunidades, de mais de uma centena de pessoas, de gestos e atitudes de coragem possíveis de serem mencionadas porque facilmente percebia-se em seus olhos que percorreram longa trajetória de luta em suas vidas assim como enfrentaram muitas horas na estrada.

Por outro lado a atitude de algumas autoridades de órgãos governamentais foi provocadora de infindáveis perguntas: por que em Minas Gerais não se avança na titulação de comunidades quilombolas? Por que os entraves técnicos parecem ser insuperáveis? Estes são apenas exemplos de questões que ficaram a martelar mentes e corações durante todo o dia. O que se viu por parte dessas autoridades foi uma retórica bem articulada voltada para informações descritivas, mas nitidamente engessada pelos parâmetros burocráticos que não conseguem ir além de um direcionamento técnico. E, a pergunta que esta afirmação suscita é: seria mesmo um direcionamento técnico ou uma forma de escamotear um conservadorismo arcaico?

Ao anoitecer daquele memorável dia 30 de novembro as danças das comunidades diluíram esse engessamento em notas, sons de tambores, vozes e gingados que pareciam dar um possível tom para o que os quilombolas devem perseguir em Minas: negar o discurso técnico e articular o direito garantido na Constituição Federal em luta política.

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2 respostas para Os quilombolas no Debate Público na ALMG: embrionária potencialidade de articulação da luta política

  1. Realmente um dos aspectos mais marcantes deste Debate Público foi a presença significativa dos quilombolas. Na casa do poder legislativo eles puderam demonstrar sua força e união em prol de seus direitos. Esperemos que isso sensibilize de alguma forma não só aos deputados, para a aprovação do Projeto de Lei 1839/2007, como também aos representantes do poder executivo para que busquem caminhos e alternativas mais inteligentes que simplesmente ficar eternamente lamentando as dificuldades.

  2. maria lais morgan disse:

    Fui para uma palestra do Sr Boaventura na Reitoria da UFBa, agora em 2008 e gostaria de saber como esta a situacao quilombola em Minas Gerais agora

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